Novos projectos de investigação: NoVOID

Projecto NoVOID

Coordenação: Eduardo Brito-Henriques

Ruínas, edifícios abandonados e terrenos vagos são presenças ubíquas nas cidades contemporâneas. O modelo de desenvolvimento urbano das últimas décadas em Portugal, dirigido pela especulação imobiliária, conduziu a que as cidades crescessem de forma descontínua, deixando muitos lotes vazios. Com a crise do imobiliário, esses terrenos vagos tendem a perdurar. Por outro lado, novas formas de ruínas não-históricas ou ruínas modernas vieram juntar-se às antigas ruínas e fazem hoje parte integrante da paisagem urbana: fábricas abandonadas, cinemas encerrados, equipamentos militares desativados, dead malls, empreendimentos imobiliários inacabados, etc.

Estes elementos são normalmente vistos de forma negativa. A cidade em ruínas é uma das distopias mais fortes da modernidade tardia, com grande expressão na cultura visual. O planeamento urbano tem acompanhado essa sensibilidade hegemónica que demoniza as ruínas e os terrenos vagos. Porque o enfoque tem sido posto na reversão destas situações, pouca atenção tem sido dedicada em Portugal à análise e compreensão dos processos de abandono e arruinamento urbano, assim como ao estudo das formas e dos usos destes espaços e da utilidade que têm, ou podem ter, na cidade. O Projeto NoVOID pretende colmatar essa lacuna. Iremos estudar o significado dos espaços abandonados e arruinados na cidade e discutir o seu valor e potencial urbanístico. Partimos do entendimento da cidade como sistema sócio-tecno-natural e vemos estes espaços como locais privilegiados de hibridizações sócio-naturais, onde o tecnológico e o biológico, o humano e o não-humano, se interpenetram. Compreender as dinâmicas de produção das ruínas modernas e dos terrenos vagos, perceber a variedade de situações que estas categorias abarcam, e perscrutar a vida obscura que estes espaços encerram – formas de vida humanas e não-humanas –, são os objetivos primeiros do projeto. A questão que depois se coloca é: como podem estes espaços heterotópicos sobreviver ao planeamento urbano e serem nele integrados sem serem aniquilados? Assim, o nosso segundo propósito é investigar e propor soluções de planeamento que sejam alternativas às fórmulas hegemonizantes da regeneração urbana.

O Projeto NoVOID assenta num trabalho interdisciplinar, na confluência da geografia humana, ecologia, paisagismo e arquitetura. Será adotada uma abordagem multimétodo, que combinará métodos quantitativos (análise estatística de dados dos censos, deteção remota e interpretação de fotografia aérea vertical, classificação de imagem, recolha de amostras e inventários de fauna e flora), com trabalho de arquivo, e métodos qualitativos etnogeográficos (observação e entrevistas), para responder às várias componentes da investigação. O trabalho de campo terá grande peso, pois muitos dados serão recolhidos ou confirmados com levantamentos no terreno. A investigação incidirá numa amostra de quatro cidades em perda demográfica representativas de contextos urbanos diferenciados: Lisboa, Barreiro, Guimarães e Vizela.

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