CGP2017

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http://cgp2017.weebly.com   |   [COMUNICAÇÕES ATÉ 30 de JUNHO]

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Novos projectos de investigação: Saberes geográficos e Geografia institucional

Saberes geográficos e Geografia institucional: influência e relações recíprocas entre Portugal e o Brasil no século XX

Projecto FCT/CAPES

Instituições:

Centro de Estudos Geográficos, Instituto de Geografia e Ordenamento do Território da Universidade de Lisboa

Programa de Pós-Graduação em Geografia, Instituto de Geografia, Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Investigadores responsáveis:

Francisco Roque de Oliveira (Portugal) e Mônica Sampaio Machado (Brasil)

Equipa CEG-IGOT:

Francisco Roque de OliveiraJorge Macaísta MalheirosEduardo Brito HenriquesLuís André Ladeira Seixas do CarmoJonathan Felix Ribeiro LopesDaniel André Fernandes Paiva

Equipa UERJ e UFF:

Mônica Sampaio Machado, Susana Mara Miranda Pacheco, Cristina Pessanha Mary, Jorge Luis Barboza, Andréa Ribeiro Mendes, Angela Nunes Damasceno Gomes, Ciro Marques Reis, Paulo Cezar de Barros, Ilaina Damasceno Pereira

Início: Março de 2016

 

Resumo

Este Projecto propõe-se produzir uma primeira leitura integrada sobre a história das relações científicas e institucionais entre Portugal e o Brasil no domínio da Geografia, ao longo do século XX. A investigação destacará seis autores cujos percursos e obras permitem iluminar a forma como se processaram estes contactos e as influências recíprocas daí resultantes. Simultaneamente, serão estudadas algumas das mais importantes relações estabelecidas entre a Geografia e outros domínios disciplinares, como a História, a Antropologia, a Sociologia e a Ciência Política, cujo contributo foi determinante para afirmar a especificidade do relacionamento realizado pelos académicos e intelectuais portugueses e brasileiros em torno dos temas geográficos. O Projecto inclui um primeiro levantamento sistemático dos trabalhos publicados por geógrafos brasileiros e portugueses em revistas científicas de Portugal e do Brasil, respectivamente.

 

Objectivos

Este Projecto visa realizar uma primeira leitura integrada sobre a história das relações científicas na área da Geografia entre Portugal e o Brasil ao longo do século XX. A despeito deste amplo marco cronológico, a pesquisa privilegiará o período posterior à II Grande Guerra, quando ambos os países consolidam a rede de cursos universitários e de centros de investigação de Geografia. O estudo será centrado em seis autores: os portugueses Jaime Batalha Reis (1847-1935), Jaime Cortesão (1884-1960) e Orlando Ribeiro (1911-1997), e os brasileiros Milton Santos (1926-2001), Therezinha de Castro (1930-2000) e Mauricio de Almeida Abreu (1948-2011). Esta selecção de autores permitirá seguir o tratamento de um conjunto de temáticas simultaneamente diversas e centrais na Geografia, com destaque para os estudos urbanos, a geopolítica, a cartografia e a história do território. Do mesmo modo, o intervalo cronológico considerado permite cobrir os momentos mais representativos da evolução teórica e metodológica da Ciência Geográfica desde a institucionalização da disciplina, no último quartel do século XIX.

Como linha de investigação principal, será rastreada a presença efectiva de conteúdos sobre o Brasil na obra de cada um dos autores portugueses seleccionados, e vice-versa. Avaliaremos ainda o impacto recíproco das obras dos mesmos autores em todos aqueles casos em que a afinidade temática tenha possibilitado a ocorrência desse diálogo. Finalmente, proceder-se-á a um primeiro levantamento dos artigos publicados pelos geógrafos de cada um dos países nos periódicos científicos de referência do outro país, da presença de geógrafos de cada um dos países nos principais eventos científicos organizados no outro país, e ainda à presença de bolseiros brasileiros e portugueses nas principais instituições de ensino e de pesquisa de Lisboa e do Rio de Janeiro. São seleccionados estes dois casos atendendo ao facto de ambas as cidades terem sido capitais nacionais durante a maior parte do período estudado.

Esta investigação sobre a prática da Geografia nos dois países será articulada com uma leitura mais abrangente, atenta ao modo como os sucessivos contextos nacionais enquadraram as políticas científicas e, em última análise, condicionaram a própria intensidade do relacionamento entre os geógrafos portugueses e brasileiros. Por outro lado, a circulação do saber geográfico entre Portugal e o Brasil não mobilizou apenas os geógrafos profissionais, tal como alguns dos seis nomes seleccionados logo o indicam. Nesse sentido, analisaremos também algumas das mais importantes relações estabelecidas entre a Geografia e outros domínios disciplinares próximos, como a História, a Antropologia, a Sociologia e a Ciência Política, de onde proveio um importante fluxo de ideias que ajudou afirmar a especificidade do relacionamento realizado pelos académicos e intelectuais portugueses e brasileiros em torno dos temas geográficos.

Novos projectos de investigação: exPERts

Projecto exPERts

PTDC/ATP-EUR/4309/2014

Equipa: Marco Allegra,  Roberto Falanga, Simone Tulumello e Ricardo Veludo (ICS-UL), Eduardo AscensãoAna Estevens (IGOT-UL), Rita Cachado (CIES-IUL), Ana Ferreira (FCSH-UNL e ISCTE-IUL)

Resumo em inglês:

exPERts is a research project which investigates the role of experts in public policies: through our research on the Programa Especial de Realojamento (Special Rehousing Program, PER), we want to understand how policy paradigms, practices and techniques are adopted in (and adapted to) specific contexts and policy sectors, and how policy experts make a strategic use their professional knowledge and status to steer the policy process.

The exPERts research team is leaded by Marco Allegra (principal investigator, ICS-UL). exPERts is a partnership between ICS-UL, IGOT-UL, and CIES-IUL; it is funded by the Portuguese Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) with a grant of €165,000 (ref: PTDC/ATP-EUR/4309/2014) for 36 months.

website: https://expertsproject.org/

 

Investigadores do ZOE participam no Laboratório “E se Mudássemos os Tempos da Cidade?”

No passado mês de Março, os investigadores Agustín Cócola, Filipe Matos e Nuno Rodrigues participaram no Laboratório “E se Mudássemos os Tempos da Cidade?” da FIA (Formação Intensiva Acompanhada), organizado pelo Centro em Movimento, e coordenado pela investigadora Ana Estevens.

As reflexões e oficinas tocaram temas de gentrificação, governança urbana e plataformas de participação territoriais,  e logística e formas de governo no espaço urbano.

 

Resumo do Laboratório:

A cidade foi-se produzindo com a pressa de chegar a um futuro de progresso e desenvolvimento que superasse os limites já identificados. Mas que progresso, que desenvolvimento, que limites se querem superar?

“vejo gerar-se um corpo fixado em direitos e deveres, um corpo que constrói-destrói cada dia apontando e maldizendo, que se armadilha na reivindicação e não se apura no potenciar do acontecimento, que não saboreia, que fragmenta, que não agradece, que não aprende” (Neuparth, 2014: 7).

E o que acontece com este corpo na cidade que foi agregando vários tempos? O tempo da produção, o tempo do consumo, o tempo do e do e do… Quanto tempo cabe dentro da cidade onde vivemos? “o império do tempo é muito grande sobre nós, mas é, sobre nós, diferentemente estabelecido (…) A cidade é o palco de actores (…) Alguns movimentam-se segundo tempos rápidos, outros segundo tempos lentos, de tal maneira que a materialidade que possa parecer como tendo uma única indicação, na realidade não a tem, porque essa materialidade é atravessada por esses actores, por essa gente, segundo os tempos, que são lentos ou rápidos” (Santos, 2001).

Investigação de Agustín Cócola na imprensa espanhola

O investigador Agustín Cócola realizou um relatório sobre alojamentos turísticos em Barcelona, que servirá de preparação para a discussão de uma lei de regulação dos mesmos, nesta cidade. O relatório demonstra como o crescimento do número de alojamentos turísticos está a provocar o deslocamento de moradores nesta cidade, pelo que captou a atenção de alguns meios de comunicação espanhóis de referência:

El País: http://cat.elpais.com/cat/2016/03/09/catalunya/1457554912_389535.html

Novos projectos de investigação: NoVOID

Projecto NoVOID

Coordenação: Eduardo Brito-Henriques

Ruínas, edifícios abandonados e terrenos vagos são presenças ubíquas nas cidades contemporâneas. O modelo de desenvolvimento urbano das últimas décadas em Portugal, dirigido pela especulação imobiliária, conduziu a que as cidades crescessem de forma descontínua, deixando muitos lotes vazios. Com a crise do imobiliário, esses terrenos vagos tendem a perdurar. Por outro lado, novas formas de ruínas não-históricas ou ruínas modernas vieram juntar-se às antigas ruínas e fazem hoje parte integrante da paisagem urbana: fábricas abandonadas, cinemas encerrados, equipamentos militares desativados, dead malls, empreendimentos imobiliários inacabados, etc.

Estes elementos são normalmente vistos de forma negativa. A cidade em ruínas é uma das distopias mais fortes da modernidade tardia, com grande expressão na cultura visual. O planeamento urbano tem acompanhado essa sensibilidade hegemónica que demoniza as ruínas e os terrenos vagos. Porque o enfoque tem sido posto na reversão destas situações, pouca atenção tem sido dedicada em Portugal à análise e compreensão dos processos de abandono e arruinamento urbano, assim como ao estudo das formas e dos usos destes espaços e da utilidade que têm, ou podem ter, na cidade. O Projeto NoVOID pretende colmatar essa lacuna. Iremos estudar o significado dos espaços abandonados e arruinados na cidade e discutir o seu valor e potencial urbanístico. Partimos do entendimento da cidade como sistema sócio-tecno-natural e vemos estes espaços como locais privilegiados de hibridizações sócio-naturais, onde o tecnológico e o biológico, o humano e o não-humano, se interpenetram. Compreender as dinâmicas de produção das ruínas modernas e dos terrenos vagos, perceber a variedade de situações que estas categorias abarcam, e perscrutar a vida obscura que estes espaços encerram – formas de vida humanas e não-humanas –, são os objetivos primeiros do projeto. A questão que depois se coloca é: como podem estes espaços heterotópicos sobreviver ao planeamento urbano e serem nele integrados sem serem aniquilados? Assim, o nosso segundo propósito é investigar e propor soluções de planeamento que sejam alternativas às fórmulas hegemonizantes da regeneração urbana.

O Projeto NoVOID assenta num trabalho interdisciplinar, na confluência da geografia humana, ecologia, paisagismo e arquitetura. Será adotada uma abordagem multimétodo, que combinará métodos quantitativos (análise estatística de dados dos censos, deteção remota e interpretação de fotografia aérea vertical, classificação de imagem, recolha de amostras e inventários de fauna e flora), com trabalho de arquivo, e métodos qualitativos etnogeográficos (observação e entrevistas), para responder às várias componentes da investigação. O trabalho de campo terá grande peso, pois muitos dados serão recolhidos ou confirmados com levantamentos no terreno. A investigação incidirá numa amostra de quatro cidades em perda demográfica representativas de contextos urbanos diferenciados: Lisboa, Barreiro, Guimarães e Vizela.

Novos Projectos de Investigação: ÁGORA

ÁGORA – Encontros entre a cidade e as artes: explorando novas urbanidades

PTDC/ATP-GEO/3208/2014 – CEG/IGOT-ULisboa

Equipa: Isabel André (coord.), Agustín Cócola Gant, Ana Estevens, Ana Moutinho, Aquilino Machado, Daniel Paiva, Eduardo Brito-Henriques, João Sarmento, Leandro Gabriel, André Carmo, Mariana Gaspar e Miguel Santos.

A Ágora era um espaço aberto que existiu em várias cidades da Antiguidade mas especialmente na Grécia. Ocorriam aí os mais variados encontros entre cidadãos que desenvolviam diversas atividades, nomeadamente política, filosofia, comércio, artes, entre outras.

A cidade encontra as artes como forma de se valorizar ou para protestar. Por sua vez, as artes encontram a cidade como meio para fortalecer a relação entre artistas e para estimular a inspiração através do debate, tal como na antiga Ágora. As transformações da cidade podem provocar novas formas de produzir o espaço urbano, privilegiando a justiça social e a criatividade, promovendo novas urbanidades.

O declínio da cidade ‘moderna’ associado ao neoliberalismo desafia o direito à cidade. Em alguns casos, as respostas – como as provenientes de artes – também são, em si mesmas, ameaças ao direito à cidade, contribuindo para a erosão do senso comum e do interesse colectivo. O objectivo fundamental deste projeto é saber como é que, em contexto de crise, as várias transformações e as resistências têm lugar na cidade através das artes e dos artistas, as linhas de continuidade e de ruptura.

O contributo das artes para a transformação da cidade é resultado de uma tensão entre visões hegemónicas e resistência, onde a primeira está ligada à mercantilização e à competitividade das cidades e a segunda à reflexividade, aos impulsos críticos e disruptivos que parecem surgir numa ampla gama de expressões da arte contemporânea. Assim, é relevante compreender até que ponto as dinâmicas artísticas estão ligadas às tensões entre as forças do mercado, os poderes políticos e a recusa do modelo neoliberal, particularmente na metrópole de Lisboa.

Os objetivos específicos do projeto estão focados nos seguintes tópicos, desenvolvidos no plano de investigação e métodos: Tópico 1 – Compreender as transformações das cidades, nomeadamente o incremento de um espaço público cada vez mais regulado, controlado e vigiado e as consequentes resistências à mudança; Tópico 2 – Identificar e debater os espaços urbanos que potencialmente atraem artistas e instituições ligadas às artes. Tópico 3 – Perceber de que modo as políticas de austeridade ameaçaram a criação/produção artística e como é que esta reagiu e reage no tempo e no espaço urbano. A revitalização dos lugares através das artes parece passar bastante por iniciativas bottom-up desenvolvidas pela sociedade civil.

Em termos de resultados, o projeto visa contribuir para: (i) o desenvolvimento teórico e metodológico, nos campos supracitados, tendo por base uma visão da ciência crítica; (ii) a análise dos impactos das atividades artísticas na criação de novas urbanidades; (iii) a elaboração de cartografia e infografia que apresentem os resultados na forma de um atlas e de uma exposição; (iv) duas aplicações computacionais (uma plataforma interativa sobre artistas e artes e uma aplicação de ‘realidade aumentada’ relacionada com as rotas literárias na cidade ligadas às artes); (v) o desenvolvimento de um exercício de benchmarking sobre as capitais dos países em crise (Lisboa, Atenas, Madrid e Dublin); (vi) a elaboração de orientações de política urbana.

A metodologia adotada combina métodos quantitativos e qualitativos. Os primeiros, incluem a análise de dados estatísticos, disponibilizados por várias instituições portuguesas e europeias sobre a relação entre a cidade e as artes, nomeadamente nas áreas da produção e do consumo. Os métodos qualitativos implicam o cruzamento de diversos instrumentos metodológicos: questionários e entrevistas com artistas e agentes culturais que promovem a arte na cidade; análise dos curricula dos artistas através da vasta gama de informações disponíveis online; análise e mapeamento e obras literárias sobre a metrópole de Lisboa; desenvolvimento de estudos de caso em espaços urbanos (na Área Metropolitana de Lisboa) contrastantes e a passar por processos de significativa transformação. Neste projeto, os estudos de caso serão tratados como laboratórios urbanos (Urban Living Labs), onde será desenvolvida parte significativa da pesquisa.

Esta pesquisa dá continuidade ao trabalho desenvolvido em projetos de investigação anteriores coordenados pela IP em colaboração com vários membros da equipa atual, nomeadamente, LINKS (FCT-2004-2007), KATARSIS (CE / FP6), SOCIAL POLIS (CE /FP7), RUCAS (FCT 2009-2014). Nos projectos europeus, a equipa portuguesa era Lead Partner. No tema do projeto atual, temos também desenvolvido estudos sobre a ‘Criatividade na Região de Lisboa’ (Comissão de Coordenação para o Desenvolvimento Regional – CCDR – Lisboa, 2011-2013) e sobre ‘Os fundos estruturais aplicados ao sector cultural’ (Secretário de Estado da Cultura, 2013-2014).

Nos próximos meses, no âmbito do projecto ÁGORA, vários investigadores do projecto irão participar em diversas conferências internacionais:

Website: https://agoraprojecto.wordpress.com/

XIV Coloquio Internacional de Geocrítica 2016

Percursos literários pelas vias da geografia libertária. Aquilino Ribeiro na Lisboa revolucionária – 1904 -1908 (Aquilino Machado, Isabel André, Fernando João Moreira);

Inovação urbana e utopia. O bairro de Alvalade em Lisboa (Isabel André, Aquilino Machado, Teresa Barata Salgueiro)

Conference on Urban Studies & Planning 2016

Sounds of Protest: Music in deprived places (Ana Estevens);

Visual Arts that change and challenge the city: Stencils in Lisbon, Portugal (Leandro Gabriel).

Conference of the RN – Sociology of the Arts

Challenging prejudice and stigmatization through public art: the case of Quinta do Mocho Public Art Gallery, Loures (André Carmo, Ana Estevens)

The role of Portuguese Visual Art(ists) in Transcultural networks: Challenges to migration research (Leandro Gabriel, Jorge Malheiros)

Best Early Career Conference Paper RSA 2016 – Eduardo Medeiros

O investigador Eduardo Medeiros foi contemplado com o prémio Best Early Career Conference Paper da Regional Studies Association International Conference em Graz, Áustria, pelo seu artigo “Territorial impact assessment and public policies: the case of Portugal and the EU”.

Eduardo Medeiros representou, ainda, a Universidade de Lisboa nos Workshops da Cross-Border Review da Comissão Europeia: http://ec.europa.eu/regional_policy/en/policy/cooperation/european-territorial/cross-border/review/#2.

Publicação de artigos

Foram publicados recentemente, pelo investigador Daniel Paiva:

Daniel Paiva (2016) Collapsed Rhythms: The Impact of Urban Change in the Everyday Life of Elders. Space and Culture. Epub ahead of print. doi: 10.1177/1206331215620095, no âmbito do Projeto Chronotope: Time-space Planning for Resilient Cities, coordenado pela Professora Teresa Barata Salgueiro).

Daniel Paiva (2016) Assessing sonic affects in everyday life: looking for metacognition and metaemotion. Qualitative Research Journal, 16 (1), 80 –91. doi: 10.1108/QRJ-01-2015-0009.